ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DA RAÇA
Para descobrir a origem dos Berneses, devemos viajar séculos de volta no tempo e buscar nas montanhas e vales remotos do interior da Suíça onde a raça tem origem. Ancestrais desse popular cão Suíço viveram e trabalharam entre os fazendeiros Celtas naqueles primeiros anos, protegendo homens e rebanhos de predadores naturais.

A história revela que as famílias mais prósperas mantinham grandes cães suíços como protetores dos campos e das casas.Os fazendeiros mais modestos, incapazes de alimentar grandes animais com seus apetites vorazes, mantinham cães menores.

Os cães daquela época eram treinados para tarefas específicas de proteção e por muitas gerações a tarefa mais importante para um Bernese era pastorear o gado. Os cães eram também usados para guarda, dando alarme diante da aproximação de animais selvagens como ursos e lobos, bem como humanos mal intencionados.

Apesar de poucos Berneses hoje em dia demonstrarem esses instintos ancestrais, muitos espécimes de cães montanheses (mountain dogs) ainda mantêm aquelas características instintivas de guarda e pastoreio no sangue.
Naqueles tempos o valor de um cão era medido unicamente pela sua habilidade como pastor e protetor das pessoas e propriedades. Cães de companhia eram considerados um luxo desnecessário já que eram simplesmente bocas extras para alimentar.

Por volta de 1850, os fazendeiros suíços, muito conhecidos por seus queijos, construíram queijarias e muitos passaram a utilizar os cães para puxar as carroças carregadas com latões de leite ou peças de queijo.Até aquela data a raça ainda não tinha um nome formal; eram conhecidos apenas como cães de fazenda, cães dos açougueiros ou cães das queijarias. Eles eram denominados de acordo com suas marcações - aqueles com anel ou colar branco ao redor do pescoço eram chamados "Ringgi" (ring = anel), cães com marcação avermelhada nas faces eram conhecidos como "Blassi" e aqueles com pequenas marcas brancas nas faces como "Bari" que significa "ursinho".O Bari era também conhecido por "Gelbackler", um nome que pode ser traduzido como "bochechas amarelas";e aqueles com marcações canela (tan) sobre os olhos eram chamados "Vieraugli", um nome que significa "quatro olhos".
Dada a natureza laboriosa dos cães montanheses, a demanda por eles era muito grande.Eles eram amplamente comercializados e em meados de 1800 o centro de tal comércio era a região de Durrbachler Gasthaus.Não coincidentemente a raça passou a ser conhecida por Durrbachler, assim chamada devido aquele centro comercial.

Mais ou menos na mesma época a popularidade do cão São Bernardo começou a crescer levando a uma queda no interesse pelos cães montanheses. O gigantesco São Bernardo, também de origem suíça, com sua coloração uniforme, cativou os sofisticados entusiastas caninos e ao tricolor cão montanhês suíço restou apenas as mais remotas regiões onde os fazendeiros e artesãos necessitavam dos cães para obter o seu sustento.
Em 1883 o Swiss Kennel Club foi fundado e sua primeira exposição ofereceu uma classe aos São Bernardo e a outros cães de caça suíços, mas não reconheceu os cães montanheses. O interesse pelo São Bernardo continuava a crescer, com a correspondente falta de atenção aos já esquecidos cães montanheses.

A maior mudança de atitudes ocorreu em 1892 quando Franz Schertenleib regenerou o interesse pelo "fora-de-moda" cão de fazenda. Inspirado nas histórias da raça contadas por seu pai, ele embarcou em uma missão para preservar os cães para as futuras gerações. Ele escolheu Berna como "quartel general" para encontrar os candidatos adequados e rapidamente sua busca gerou grande interesse entre os que buscavam aprovar outras raças similares de cães.


Certamente o maior impacto na evolução da raça deu-se no início do séc. XX através dos esforços de Albert Heim, um professor de geologia, que foi considerado o salvador e "pai" do Bernese Mountain Dog. Originalmente criador de Terra Nova, seu interesse por cães de trabalho levou-o a investigar os cães de fazenda das montanhas. Suas pesquisas sobre as quatro raças montanhesas suíças levaram a criação da Fundação Albert Heim, hoje um popular centro de informações sobre a história e características do Bernese Mountain Dog, e referência para amantes da raça.

Em 1904 o Swiss Kennel Club abriu a primeira classe para os Durrbachler, com a apresentação dos primeiros sete exemplares, dos quais quatro foram registrados pelo SKC no ano seguinte.Nos 10 anos consecutivos diversos exemplares foram sendo reconhecidos e registrados no Swiss Stud Book, cada um deles tendo que se submeter à aprovação de um dos três especialistas na raça: o entusiasta Franz Schertenleib, o experiente criador Gottlfried Mumenthaler e o veterinário Dr. Scheidegger. Os três, em conjunto com o ilustre Albert Heim, formaram a primeira organização da raça, chamando-a Schweizerischer Durrbach Klub, depois chamado Berner Sennenhund Klub.

Em 1910 a exposição do clube em Burgdorf atingiu seu recorde histórico com a presença de 107 Berneses. O professor Heim foi o juiz do evento e julgou diversas variações de marcações e cor que não mais eram desejadas na raça, bem como pelagens atípicas a verdadeiros representantes da mesma. Com gentileza e honestidade Heim apresentou suas críticas e desqualificou muitos cães. Também aconselhou aos criadores que produzissem animais de melhor qualidade para contribuírem com o aprimoramento da raça. Suas palavras, sempre tidas em alta quota, convenceu-os da necessidade de tais critérios para aperfeiçoar tanto aparência quanto temperamento, eliminando os exemplares fracos dos programas de reprodução, buscando a uniformidade dos cães.

Esses esforços acabaram por definir e diferenciar as características dos Berneses dos outros três montanheses suíços: o Greater Swiss Mountain Dog (ou Swissy), o Appenzeller e o Entlebucher.

Apesar das quatro raças serem de cães "workaholic" com instintos naturais de pastoreio, existem grandes diferenças em tipo, tamanho e pelagem, e apesar dos quatro demonstrarem a mesma disposição amigável e plácida, têm diferenças sutis de temperamento. O Bernese e o Swissy, o maior entre as quatro raças, são de longe os mais conhecidos das raças alpinas e permanecem mais populares que o menor Appenzeller e o Entlebucher.